domingo, 25 de junho de 2017

BRASIL: NOVA GREVE GERAL

                                                                                     


Pablo Heller  (Partido Obrero)



Está prevista uma nova greve geral no Brasil no dia 30 de Junho. Tal iniciativa foi tomada pelos sindicatos. Esta convocação é precedida pela paralisação do dia 28 de abril que repercutiu em todo o país. Tanto pela sua massividade como por sua contundência, foi a medida de força mais importante nas últimas décadas e foi acompanhada por piquetes, manifestações e bloqueios de vias nas principais cidades do país.

Apesar de seu sucesso, as centrais indicais perderam tempo e foram adiando uma nova chamada. Até agora evitaram dar um caráter ativo à greve de 30/06, buscando convertê-la em um dia de feriadão.

Enquanto isso, as direções sindicais, começando pela CUT - politicamente envolvida com o PT - atuam como muros de contenção de greves e iniciativas de luta em diferentes sindicatos.

GOVERNABILIDADE

A burocracia sindical está desempenhando um papel fundamental na manutenção da governabilidade de um regime que está nas cordas. Por sua vez, o Tribunal Superior Eleitoral acaba de salvar a pele de Temer, rejeitando a acusação de financiamento ilegal da chapa triunfante presidencial, o binômio (Dilma/Temer), o que significaria a destituição automática do atual presidente. Mas isso não é suficiente. Imediatamente deverá enfrentar às acusações de suborno do empresário Joesley Batista, que provocaram a recente tempestade política. Estamos diante de uma guerra sendo travada em todas as instâncias - na justiça, nos serviços públicos e, especialmente, na orientação econômica do Estado, por meio de uma luta aberta entre a burguesia local e o imperialismo pela gestão e exploração dos vastos recursos e a atividade industrial do país e, portanto, sobre o destino das grandes corporações brasileiras. A operação Lava-Jato e, agora as revelações dos irmãos Batista, estimuladas pelos Estados Unidos, têm apontado para a quebra da estrutura industrial e financeira baseada em torno da Petrobras e o sistema de contratos e concessões do Estado.

As direções sindicais estão agindo como seguidismo da estratégia PT , o qual vem colocando como saída a candidatura presidencial de Lula em 2018. Em nome do "voltaremos", bloqueia a possibilidade de que Temer caia agora sob a pressão direta da inciativa popular.

"DIRETAS"

A plataforma da greve inclui em primeiro lugar, a bandeira de "eleições diretas". É a principal reivindicação que levanta a Frente Ampla, uma coalizão de partidos, incluindo, entre outros, o PT e PSOL.

As 'Diretas' colocam ao PT um problema insolúvel, com ou sem eleições legislativas, porque para isso eles não têm outra escolha a não ser acordar com os partidos tradicionais; isso, sob o pretexto de alcançar uma maioria parlamentar, repetindo a experiência desastrosa já percorrida quando foram governo.

A declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pedindo a Temer a antecipação das eleições encorajou a direção do PT. De acordo com Cardoso, o chamado para novas eleições busca "restaurar a legitimidade da ordem à soberania popular." Estamos diante de um giro do ex-presidente, que vinha propugnando a nomeação de um sucessor de "consenso". Esta mudança provavelmente tem a ver com as crescentes fissuras no campo governamental, que se estende a um Parlamento que retardou a aprovação da reforma trabalhista e previdenciária. Esta questão é crucial, uma vez que priva Temer, quem dera, da sua principal arma de governo: a de apresentar-se como fiador do ajuste, o qual vem levando adiante desde que ele assumiu o cargo. Um pântano da ofensiva antipopular em andamento pode acelerar a determinação do capital de larga-lo de mão

O líder do PT na Câmara de Deputados, Carlos Zarattini (São Paulo) disse que vai procurar os tucanos (Cardoso) para um acordo: "Vamos tentar levá-los a concordar com as eleições diretas. Nosso objetivo é fazer com que Temer saia"(Infobae, 14/6). A greve do dia 30 está destinada a ser colocada por trás desta perspectiva política, embora tudo seja amarrado com fios de arame não se pode descartar que novamente abra-se caminho para uma saída de consenso. Depois de ter batido o martelo sobre as "Diretas Já" e aprovada esta palavra de ordem no Congresso do PT, Lula pôs de lado essa reivindicação e fez uma exortou a esperar por 2018, o que foi interpretada por alguns analistas como uma porta de entrada para negociar um sucessor através de uma eleição indireta pelo Congresso.

Independentemente disto, seja um candidato de consenso ou de uma eleição direta, necessariamente acordada, estas opções terão como base uma continuação da política de austeridade e de reformas antioperárias.

Congresso dos Trabalhadores

Seja qual for o acordo alcançado, não resultará no fechamento da crise. As convulsões políticas seguirão. A questão do momento, no Brasil, é continuar a mobilização popular, começando por garantir a massividade da greve geral e dar-lhe um caráter ativo.

Em oposição às saídas capitalistas e antipopulares que estão sendo levadas adiante, adquire enorme relevância e atualidade a convocação de um congresso de trabalhadores para discutir um programa e uma saída política frente a crise em desenvolvimento. Pela retirada da reforma trabalhista e da previdência; por um salário e aposentadorias equivalente ao salário mínimo vital; pela distribuição das horas de trabalho sem afetar os salários e ocupação de toda a fábrica que feche ou demita; abertura dos livros-caixas de todos os grupos capitalistas e pelo controle operário da produção; por cancelamento do pagamento das dívidas externa e interna, e a nacionalização sem indenização dos bancos e monopólios petroleiros, a fim de colocar os recursos para atender às necessidades sociais. É hora de lutar por uma Assembléia Constituinte livre e soberana, onde se discuta uma ampla reorganização do país sob novas bases sociais. A questão-chave no Brasil e, de modo geral, na América Latina, é que a classe trabalhadora emerja como um fator político independente e se transforme em alternativa de poder.

                                                                                    

domingo, 18 de junho de 2017

BANCÁRIOS Porto Alegre: Votar na Chapa 3

                                                                             




Passados 8 meses do final da Greve dos Bancários de 2016 e infelizmente nos deparamos com a realidade de um Acordo Bianual que na prática engessa a luta da categoria e que na época de sua imposição ajudou politicamente a governabilidade do golpista Temer e continua ajudando, pois com a atual situação político-econômica do País uma categoria forte como é a dos bancários em campanha salarial pode animar uma série de outras categorias para a luta e colocar o conjunto do regime em xeque.

Com uma derrota temporária imposta pela Burocracia Sindical à categoria com o Acordo Bianual juntamente com o agravamento da crise econômica logo após o dissídio de 2016, o Governo Temer(CEF e BB) e o Governo Sartori (Banrisul) impuseram planos de demissões e aposentadorias voluntárias para milhares de bancários; além de fecharem centenas de agências, levando a precarização do atendimento à população, aumentando o excesso de trabalho para os bancários da ativa e subindo as taxas de adoecimento dos trabalhadores bancários. Esses programas no seu conjunto recebem o pomposo nome administrativo de Reestruturação Bancária, que deve ser lido como: enxugar hoje para privatizar amanhã. Mais uma carta na manga dos governos capitalistas de plantão. Com um visível sucateamento das agências da Caixa Federal e do Banco do Brasil.

Enquanto isto no período de 1 ano, os Bancos Privados demitiram em torno de 17.000 bancários em todo o País, sem quase nenhuma luta dos Sindicatos administrados pela Burocracia Sindical. Mas o lucro dos maiores bancos em nesse período ficou em torno de R$ 30 Bilhões. No entanto, sendo o setor bancário o mais rico do País é campeão de reclamações dos clientes e remunera mal os bancários.

Defendemos a Não Privatização do Banrisul e o Serviço Público deve sob controle dos Trabalhadores. Além se seqüestrar mensalmente o salário dos servidores, o Governo Sartori quer privatizar inicialmente a CEEE, a CRM e a SULGÁS e num segundo momento tentar privatizar o Banrisul; os bancários do Banrisul já deram demonstração que vão lutar para isto não acontecer.

É preciso ganhar as ruas contra Temer e Sartori. Agora, no início do dissídio de 2017, os bancários precisam lutar por suas reivindicações prementes, inclusive lutar pela superação política de conciliação da Burocracia Sindical com os Banqueiros/Governos que historicamente só prejudica a categoria.

Os Planos de Saúde dos bancários só pioram, gerando mais enriquecimento para os Bancos. Os principais Fundos de Pensões estão atolados em rombos bilionários por má gestão e denúncias de corrupções. Existe uma brutal defasagem no número de bancários necessários para atender dignamente a população. Os aposentados são a parcela mais atacada da categoria. Defasagem nas aposentadorias, planos de saúde piorados, ficam com os seus direitos fora das reivindicações nos dissídios, etc.

Na Terceirização, os bancos estão entre os setores que mais exploram os terceirizados. Existem dados que no setor financeiro com 1,5 milhão de trabalhadores no Brasil, existem mais de 800 mil terceirizados.

Chamamos o voto na chapa 3 pela independência política do sindicato dos bancários frente aos governos burgueses e aos banqueiros.

Damos a este voto um caráter antiburocrático e contra a política de conciliação de classes da burocracia sindical e seus acólitos.





Frente de esquerda do Rio de Janeiro

                                                                                   



Roberto Rutigliano


No dia 12/06 ocorreu uma plenária da frente de esquerda socialista no Rio de Janeiro.

Esta frente nasceu um ano atrás, e por enquanto só tem representatividade local, reunindo as principais forças da esquerda no país: o PSOL, MAIS, NOS, MRT , PCB e outras organizações.

O PSTU e Tribuna Classista não participam do projeto.

A idéia básica da plenária era organizar atividades que impulsionem a greve geral. Duas bandeiras unificaram a reunião: Fora Temer e contra as reformas. A questão que surgiu como divisor de águas foi como apresentar uma alternativa de poder pós governo golpista.

A CS/TPSOL e o MRT foram contra a idéia de chamar as eleições diretas enquanto que o MAIS, NOS e setores do PSOL como Comunismo e Liberdade do vereador Renato Cinco (conhecido ativista pela legalização da maconha) levantaram a bandeira de “diretas já”.

A questão das Diretas Já

O quadro de deterioração política e moral da classe política brasileira faz com que a esquerda tenha a oportunidade de colocar em pauta a necessidade de uma mudança estrutural do sistema como resposta; assim as frentes, as organizações de bases e os congressos de trabalhadores podem reivindicar o chamado de uma Assembléia Constituinte e o governo dos trabalhadores como meta.

Na contra-mão, o PSOL fez uma frente ampla parlamentar com o PT, PSB,PDT e PC do B levantando a bandeira das diretas.

O Tribuna Classista do Rio de Janeiro coloca a questão de que hoje a postura de “diretas já” vem a domesticar as lutas e colocar à classe trabalhadora na escolha falsa de candidatos que vão impor as reformas .

Em sintonia com este argumento, o PSTU acha que tem que ser priorizada a mobilização e que qualquer reivindicação que canalize a luta para uma disputa eleitoral é um desvio democratizante.

Entendemos que os setores revolucionários hoje representados pelo PSTU,CST, MRT , Tribuna Classista, Esquerda Marxista e LPS teríamos que lançar uma campanha conjunta para esclarecer por que a reivindicação das diretas hoje significa o oposto das mobilizações contra as reformas.

O capitalismo quer que os trabalhadores paguem pela crise dos monopólios, a pseudo esquerda quer encaminhar a classe trabalhadora atrás da bandeira das diretas. Por este motivo, as bandeiras tem que ser:

- Greve geral contra as reformas.

- Fora Temer por congressos de trabalhadores que convoquem a uma Assembléia Constituinte.

- Governo dos trabalhadores.




terça-feira, 23 de maio de 2017

GREVE GERAL OU PIZZA

                                                                               

                                                  Osvaldo Coggiola




O presidente golpista Michel Temer (PMDB) decidiu defender-se (isto é, não renunciar ao seu cargo) declarando, em cadeia nacional, ter sido vítima de uma armação, ou seja, de um golpe, e solicitando ao Supremo Tribunal Federal o fim do inquérito que o implica em crimes de responsabilidade. Sem informar, porém, quem teria sido o autor (ou os autores) da trama golpista, da qual os irmãos Batista foram o instrumento executor. Preferiu sair-se pela tangente qualificando seu interlocutor na conversa mafiosa, mantida na garagem dos fundos do Jaburu, de “falastrão” e “charlatão” (portanto, não digno de crédito; “Ouvi tal impropriedade como algo característico de um falastrão que procura mostrar influência”, O Estado de S. Paulo, 22/5), um qualificativo curioso para o proprietário de um holding (J&F),uma de cujas empresas (a famigerada JBS) pulou de uma receita de R$ 4,3 bilhões em 2006 para R$ 170,4 bilhões em 2016 (uma multiplicação por 40, ou um crescimento de 4.000%, em apenas uma década; se fosse o PIB brasileiro...) até se transformar na “maior produtora e exportadora de proteína animal (aves e bovinos) do planeta”, graças, sobretudo, aos empréstimos a juros subsidiados concedidos por bancos públicos brasileiros, BNDES e Caixa Econômica Federal (que aportam pouco mais de 26% do capital do holding). R$ 5,5 bilhões é o volume de recursos da Caixa em empresas da J&F; quanto ao BNDES, ele aportou R$ 3,58 bilhões na JBS (e R$ 2 bilhões para a implantação da Eldorado Celulose). Esse dinheiro foi usado para aquisições e fusões dentro e fora do país (avícolas e bovinas brasileiras, Vigor, Alpargatas, cuja compra pela J&F foi 100% financiada pela Caixa, Eldorado e, sobretudo, frigoríficos norte-americanos; até criar seu próprio banco, acertadamente batizado com o nome de Original) durante o governo PMDB-PT, e durante o próprio mandato de Temer (como vice-presidente e presidente). 

A cilada (na qual caíram Temer, Aécio Neves e outros tantos quantos) fora montada pela PGR (Procuradoria Geral da República) que, quinze dias antes da conversa nos fundos (e de outras conversas em outros fundos) deu uma “aula de delação” aos irmãos Joesley e Wesley e ao seu pequeno séquito de trutas (incluído o alto executivo Ricardo Saud, especialista em propinas e possuidor de um domínio precário da gramática da língua portuguesa, apenas um pouco melhor no caso dos Batista). Estes não tiveram o menor problema em representar o papel deles mesmos, enganando a “profissionais” do saque das finanças públicas que no Brasil recebe o nome de “política”, os quais entregaram, monossilabicamente (Temer) ou verborragicamente (Aécio), o ouro e algo mais. A PGR fora procurada pela dupla goiana em meados de fevereiro, e gravou a conversa com Temer a 7 de março. Dez dias depois foi lançada a operação “Carne Fraca”, que evidenciou que a espetacular e meteórica fortuna da JBS fora amealhada não só com empréstimos a juros maternais de bancos públicos (cujo capital se compõe basicamente de contribuições previdenciárias dos trabalhadores), mas também com a venda de carne podre e adicionada com substâncias tóxicas de variado tipo (todas baratas). A fita foi gravada antes, mas divulgada depois, do lançamento da “Carne Fraca”. Depois de Eike Batista (“o homem que mais dinheiro fez com o Power Point” segundo The Economist; em cana [agora domiciliar] e falido) e seu “grupo X”, da Camargo Corrêa (acordo de leniência de R$ 700 milhões, uma pechincha), da Andrade Gutierrez, da Odebrecht-Braskem (maior acordo de leniência do planeta, R$ 6,8 bilhões, e com o capo também em cana) e de alguns sócios menores, chegara a hora e a vez do último “campeão nacional” de importância ainda em atividade, isto é, o réquiem da “burguesia nacional” almejada e financeiramente bajulada durante treze anos de governo Lula-Dilma e, em especial, da empresa cujo presidente até 2016 fora nada menos que o atual titular da pasta da Fazenda, ora cotado para “presidente indireto” do Brasil, Henrique Meirelles.[1]

A nova fase da crise política que se abriu com o episódio está apenas nos seus inícios. O “mercado” (o grande capital) deu seu sinal imediato, afundando o índice Bovespa em 10% (mais de US$ 200 bilhões, que viraram fumaça) quinta-feira 18 de maio, até obrigar ao uso do circuit break (interrupção das atividades e da negociação de títulos públicos) e fugindo em direção do dólar, que chegou até R$ 3,50 (+ 15%). Isto permitiu um lucro fabuloso aos mafiosos da JBS que, de posse do inside trading da fita gravada, mas ainda não divulgada, apostaram, nos dias prévios ao escândalo, contra o real em quatro praças financeiras e cambiais internacionais, com um lucro (um bilhão de dólares, segundo Temer, talvez bem informado desta vez) bem superior à multa do acordo de leniência que planejava pagar ao erário nacional; isto sem falar na venda de ações (inclusive ao BNDES) prévia ao afundamento da Bolsa de Valores, configurando um novo saque ao país. As cifras totais da manobra (das manobras) ainda não são conhecidas, mas seriam suficientes para solicitar a extradição dos Batista e comitiva que, aparentemente em número de onze, fugiram em (um dos) seus super jatinhos particulares em direção dos EUA, com permissão (sugestão?) da Justiça brasileira, para um luxuoso apartamento em Nova York (de onde também fugiram!) – e, sobretudo, para expropriar sem indenização a JBS e a J&F, uma bandeira que deveria ser levantada de imediato pelos trabalhadores e suas organizações, e também exigir a restituição de suas posses no exterior junto aos fóruns e a opinião pública internacionais. Os sem-terra começaram a percorrer esta via ocupando uma fazenda vinculada à JBS.

O acordo entre a J&F e o MPF (Ministério Público Federal) faz parte de um pacote maior, negociado fora do Brasil com “o Departamento de Justiça, o poderoso DoJ (dos EUA) (que prevê) a mudança da empresa para os Estados Unidos, onde (a JBS) já possui 56 fábricas e realiza metade de suas vendas globais” (Valor Econômico, 19/5) – para ser mais precisos, a J&F realiza 68% de suas receitas nos EUA, um total de 115 bilhões de dólares (deixando a América do Sul, Brasil incluído, com um modesto 27%) (Folha de S. Paulo, 21/5). Não sabemos (é provável) se os ex açougueiros goianos e consortes (incluída uma animadora de TV, estes “burgueses nacionais” têm uma queda muito parvenu pelas figurinhas midiáticas e as capas daPlayboy) já possuem cidadania norte-americana. A “burguesia nacional” é, sem dúvida, burguesa, mas não nacional, uma lição que a direção do PT se recusa a aprender até hoje. A liquidação desta pretensa “burguesia nacional”, a redução do Brasil a um estatuto semicolonial, tem consequências diretas para a América Latina, em primeiro lugar para a Argentina, e para a Unasul, que foi sua criatura política.

A isto se deve que, em vez da tática dos Odebrecht (que ficaram fazendo cu doce durante meses para o MPF e sua operação “Lava Jato”, o que lhes custou prisão + multa de R$ 6,8 bilhões), os irmãos Batista oferecessem espontaneamente sua colaboração ao MPF, entregando inclusive seus comparsas políticos (em número de... 1.829! segundo sua “delação [mais do que] premiada”) e oferecendo pagar, inicialmente, uma multa de R$ 1 bilhão (uma mixaria, em face das cifras acima – apenas um quarto do lucro instantâneo obtido na sua manobra especulativa contra o real), elevando-a depois até R$ 1,4 bilhão, uma cifra que coincide, sugestivamente, com o valor das propinas pagas pela J&F (segundo os documentos fornecidos pelos delatores) através de 214 repasses a 28 partidos políticos (dos 35 registrados no Brasil) ou a 1.829 “candidatos” (eleitos ou não a diversos cargos, em todos os níveis do Estado), como dizendo “uma mão lava a outra” e não se fala mais nisso. O “Departamento de Operações Estruturadas” (!) da Odebrecht confessara propinas de R$ 1,68 bilhão para 26 partidos, uma “estratégia” levemente mais concentrada e “organizada”, com departamento próprio. O MPF cobrou da J&F R$ 11,2 bilhões de multa, configurando uma pendenga de R$ 10 bilhões que não será a mais difícil de resolver (embora não seja nada fácil). E os trabalhadores assistem pela TV a um curso acelerado de teoria do Estado burguês, comprovando como um político às vezes quase desconhecido, ou uma empresa que o banca (principalmente, mas não só, nas campanhas eleitorais), consegue levar numa só tacada corrupta proventos superiores aos que eles podem obter ao longo de uma vida inteira de esforços.

Um dos decanos do jornalismo político brasileiro, Janio de Freitas, fez questão de lembrar (“As condições do caos”, Folha de S. Paulo, 21/5) que “a JBS, parte da empresa-mãe J&F, é a maior exportadora mundial de carne bovina e de frango. Seu crescimento no mundo tem sido, em grande parte, decorrente de apoios financeiros e outros, legítimos ou não (saic), dos governos brasileiros. E contraria poderosas multinacionais e governos estrangeiros empenhados na promoção internacional de seus exportadores”; uma tardia lamúria nacionalista mas não anti-imperialista. Pois a “inimiga das multinacionais” já decidiu se reciclar como sócia menor delas nos próprios EUA, largando na fuga toda veleidade “nacional”. Como escreveu o dirigente trotskista Jorge Altamira (Prensa Obrera, 19/5), “lo que acosa a la clase capitalista no son las revelaciones de los desfalcos. Estas denuncias fueron promovidas por el Departamento de Justicia de Estados Unidos. Nunca hubieran tenido lugar si no sirvieran al interés de los grupos económicos, especialmente norteamericanos, que estuvieron buscando quebrar el monopolio operacional de Petrobras en la explotación de los yacimientos pre-sal y fulminar al no menos fuerte trío de la construcción – Camargo Correa, Andrade Gutierrez y Odebrecht -, que se quedaron con más de la parte del león en obras de infraestructura desde Cuba hasta Argentina, pero especialmente en Perú y Brasil. La riña capitalista se ha puesto más brutal desde que Odebrecht ha logrado que los acuerdos de delación de sus ejecutivos vengan acompañados de la continuidad de las obras y licitaciones comprometidas con el Estado”.

O problema consiste em que as denúncias abriram uma caixa de Pandora, cujo conteúdo transformou a crise política em crise institucional (ou seja, uma crise do regime e do Estado). As delações da Odebrecht e, sobretudo, da J&F/JBS, escancararam não apenas uma rede gigantesca de corrupção, mas também: a) Que a corrupção é sistêmica, envolvendo todos os escalões do Estado de modo permanente, não só para a aprovação de alguma lei ou medida provisória, transformando quase todos os “representantes” (ou os nomeados por eles: um em cada três membros do Congresso Nacional recebeu dinheiro da JBS, e esta é apenas uma das fontes pagadoras) em reféns do grande capital: os dirigentes da J&F revelaram, por exemplo, que repassavam mais de R$ 300 mil mensais a Gilberto Kassab (PSD) ex prefeito de São Paulo e atual ministro, por “eventuais serviços futuros”; b) Que para esse objetivo tanto faz que a propina seja “legal” ou não, ou seja, que revista a forma de doação oficial (caixa 1), clandestina (caixa 2), depósito bancário, dinheiro em espécie ou depósito off shore (as contas da JBS na Suíça registram 9.000 pagamentos para políticos brasileiros nos últimos dez anos). Os “campeões nacionais” levavam uma contabilidade única para todas as despesas dessa ordem, pouco se importando com sua “legalidade ou “ilegalidade” (um dos Batista, em seu depoimento gravado, chegou a confundir-se a respeito da natureza de várias propinas) pois todas servem a um único objetivo. A desculpa-padrão do PT (e de outros), “foram doações legais” (que, lamentavelmente, não chega a cobrir todas as “doações”) é uma justificativa esfarrapada para encobrir uma política comprada pelo grande capital. A J&F relacionou propinas de R$ 800 milhões (para “políticos e operadores”) para obter fundos por valor de R$ 15 bilhões (um “custo operacional” de 5%) da Caixa e do BNDES, destinados a serem usados em contratos sobrefaturados. 

O festival de “delações premiadas” está longe de concluído: “Há sinais de que um advogado do banqueiro André Esteves (BTG Pactual) está conversando com representantes do Ministério Público. Coisa preliminar", informou o informado colunista Elio Gaspari (Folha de S. Paulo, 21/5); BTG Pactual é o maior banco de investimentos do país, com participação em inúmeras empresas e administração de fundos de hedge globais através do seu carro-chefe, o fundo GEMM Fund, que administra 22 bilhões de dólares em todo o planeta e está entre os vinte fundos de investimento mais rentáveis do mundo, com alça de 85% de suas ações (o Itaú já retirou todo seu dinheiro do BTG Pactual). A debandada dos partidos da “base aliada”, do seu lado, apenas começou: o primeiro a abandonar o barco foi o PSB (35 deputados e um ministro), seguido pelo PTN (13 deputados), o PPS (9) e o PV (6); o PSDB (47 deputados) já está dividido em torno da questão; a “base” se reduziu de 402 para 345 deputados, os “votos garantidos” para a reforma da Previdência (a mãe de todas reformas) caiu de 250 para 200 (são necessários no mínimo 308), um número por outro lado fantasioso.

O que mudou o panorama político do país, criando a base para a crise, foi a greve geral de 28 de abril passado que, em que pese seu caráter “domingueiro” (uma sexta feira que precedeu um final de semana longo) traduziu a nova situação política, a tendência para um combate político de massas contra o governo golpista de Temer. As ameaças prévias do governo, como o desconto do dia parado aos funcionários públicos, não tiveram efeito. A greve atingiu pelo menos 130 cidades, as mais populosas, incluídas as 27 capitais do país. Houve paralisação total do transporte urbano e interurbano, de quase todas as escolas e o setor educacional, e dos bancos, conquistando 90% de adesão nas montadoras do ABC paulista. O principal porto de exportação do país, Santos, foi bloqueado por piquetes de estivadores que enfrentaram duramente a Polícia Militar. As manifestações populares (houve enfrentamentos em uma dezena de cidades) foram basicamente convocadas pelos movimentos de trabalhadores sem teto e sem-terra (MTST e MST), cuja mobilização não foi incluída nas estatísticas da greve, que mobilizou, portanto, centenas de milhares de trabalhadores e jovens. A greve devolveu a iniciativa política ao movimento dos trabalhadores.

Todas as saídas “institucionais” estão postas em cima da mesa: renúncia de Temer, impeachment (há nove pedidos protocolados no Congresso - e a OAB já formalizou o seu -, precisa de 2/3 dos votos parlamentares) seguida de eleição indireta pelo Congresso (De quem? E como? A questão está em um limbo jurídico – a única lei que regulamente a eleição indireta é de 1964, governo Castello Branco), emenda constitucional possibilitando a eleição direta do presidente (já apresentada por um deputado da Rede, precisa de 60% dos votos), cassação da chapa Dilma-Temer em junho, seguida de eleições presidenciais convocadas pelo Congresso. Todas elas implicam a continuidade do Congresso golpista e dominado por corruptos durante o processo eleitoral e depois. Para o já citado Janio de Freitas: “Toda a dramaticidade da situação sintetiza-se em uma pequena frase: não há saída boa. A pior seria a permanência de Michel Temer ainda mais apalermado. Mas nenhuma das outras possíveis evitaria a continuidade das condições caóticas que sufocam o país”. Trocando em miúdos: nenhuma dessas saídas fecha a crise.

Sem base para seu programa reacionário e antissocial, o governo Temer apenas sobrevive explorando o impasse político, o que anima o editor/proprietário da Folha de S. Paulo (que contratou um “perito” para questionar a autenticidade da fita Joesley/Temer, dando o ponto de apoio para o discurso anti-renúncia de 18 de maio – e que é um torcedor fanático das reformas previdenciária e trabalhista) para afirmar (desejar) que “é cedo para dizer que esta administração acabou”. Do ponto de vista da crise política, mais importante do que a revelação dos conluios de Temer (que nunca teve votos próprios, só à sombra do PT; e cuja natureza corrupta era um segredo a vozes) foi a degringolada do propinómano Aécio Neves (apanhado em gravações non sanctas nas quais usa um linguajar digno de um chefete de quadrilha de traficantes), destituído de seu cargo de senador e “renunciado” da presidência do PSDB, ele que tinha sido derrotado nas últimas eleições presidenciais por apenas três pontos percentuais (obtendo 48,5% no segundo turno), sendo a única das alternativas para ocupar a presidência de modo indireto, ou para se opor a Lula numa eleição direta, que podia reivindicar alguma “legitimidade popular”.

As mobilizações em grande parte espontâneas de 17 de maio, em quase todas as capitais e com fortes enfrentamentos com a Polícia no Rio de Janeiro, demonstraram uma ampla base para uma grande mobilização popular. Os comícios muito menos espontâneos de domingo 21 de maio mostraram, ao contrário, certo esvaziamento. O PT encampou as “Diretas Já” para presidente através de uma vasta campanha na TV, especulando com a vitória de Lula (primeiro colocado em todas as sondagens) se ele não for previamente inabilitado, obrigando-se antecipadamente a reconstituir uma “base aliada” reacionária, talvez incluindo o próprio Meirelles (que já fez parte do governo Lula). O ex presidente (1994-2002) Fernando Henrique Cardoso, no Canal Livre de 21 de maio, clamou por um “Emanuel Macron brasileiro” por fora dos partidos e por dentro das redes sociais, como no “vitorioso” exemplo francês, especulando com os nomes de João Dória e até de Luciano Hulk (que nunca concorreu nem para síndico do seu prédio), dois homens do mundo empresarial/midiático. De cambulhada, meteu também no pacote uma “reforma política” supostamente moralizadora, com voto distrital e financiamento público das campanhas eleitorais (como se isso eliminasse automaticamente o “caixa 2”) e, sobretudo, com “cláusula de barreira” para barrar os “nanicos” (as siglas de aluguel) e, principalmente, a esquerda classista e revolucionária, a que, em primeiro lugar, rejeita as propinas e também as “doações legais” do capital.

Contra todas essas saídas reacionárias e antidemocráticas está na hora de lutar por uma Assembleia Constituinte de refundação da República, livre, soberana e democrática, sem cláusulas de proscrição e sem Congresso biônico dos corruptos do grande capital, e pela defesa de um programa anti-imperialista e classista de salvação nacional (governo dos trabalhadores) através da unidade socialista da América Latina. O meio para impô-lo foi esboçado no 28 de abril: a greve geral baseada na mobilização irrestrita dos trabalhadores (empregados e desempregados), da juventude e dos movimentos populares. Isto implica também em uma direção política cuja edificação deve ser objeto de debate aberto e democrático da esquerda brasileira e latino-americana.



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[1] Escreveu Mauro Lopes: “Dá pra acreditar que como presidente do grupo ele não soube de nada? Não viu? Não leu? Sumiram R$ 500 milhões dos cofres do grupo e Meirelles não soube? Se ele soube, deve entrar nos processos em curso. Se ele não sabia de nada mesmo, deve ser interditado, porque deixar um néscio assim como ministro da Fazenda do Brasil é um risco sem medida”. Segundo o jornalista Elio Gaspari, “sempre próximo do poder”, ele é “o sonho de consumo do mercado para a sucessão de Temer”.


                                                                              

quarta-feira, 17 de maio de 2017

DIANTE DOS NOVOS FATOS REITERAMOS: FORA TEMER!! CONGRESSO DOS TRABALHADORES PARA ORGANIZAR A LUTA E ABRIR UMA NOVA PERSPECTIVA POLÍTICA!!

                                                                                   


Uma bomba caiu sobre o panorama político nessa quarta-feira (17/05), gravações realizadas pelos donos da JBS (Joesley e Wesley Batista) colocam o presidente Michel Temer numa tentativa de comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (preso na Operação Lava-Jato), principal articulador do golpe parlamentar.

As gravações implicam também o Senador Aécio Neves (presidente do PSDB) com o recebimento de 2 milhões em propina, depositados numa empresa do senador Zezé Perrella.

Diante da imensa crise que se abre reiteramos nossa análise de que esse governo é fruto de um golpe parlamentar sustentado pelos setores majoritários da burguesia e do grande capital. Que o Governo Temer deve ser derrubado pela ação política das massas para impedir suas reformas anti operárias e anti populares, principal ataque contra a população na história da república, e que para dar uma nova perspectiva e uma nova direção à esquerda e ao movimento operário é necessário um Congresso dos trabalhadores para discutir um programa que abra novos caminhos para a classe trabalhadora. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

APOIAMOS A CHAPA 3 PARA AS ELEIÇÕES DA APEOESP

                                                                                         

Dia 25 de maio ocorrerão as eleições na Apeoesp, sindicato dos professores estaduais, a oposição unificou as suas forças na chapa 3 - Oposição Unificada, composta por todas as forças representativas da esquerda para derrotar a atual direção do sindicato,  que é vinculada à Articulação Sindical (PT).

Apoiamos a Chapa 3 - Oposição Unificada para varrer definitivamente a burocracia do sindicatos dos professores, a atual diretoria é um retrocesso para toda a categoria. A atual presidente (professora Maria Isabel, a Bebel) está a 4 mandatos no comando do sindicato. Somente uma nova direção poderá enfrentar o Governador Geraldo Alckmin em seus contínuos ataques aos professores e à educação. 

É necessário varrer a burocracia sindical dos sindicatos para colocar de pé uma nova direção classista e combativa que dê uma nova perspectiva de luta aos trabalhadores diante do maior e mais virulento ataque já desferido pela burguesia, pelo grande capital, em nossa história. 

O governo de Geraldo Alckmin é o fiel escudeiro de Michel Temer e suas reformas anti operárias e anti populares. É necessário construir uma nova direção para o conjunto dos trabalhadores lutarem contra os governos atuais. Governos que tem um caráter de classe bem definido, ligados ao grande capital nacional e internacional.

Todo nosso apoio a Chapa 3 nas eleições do próximo dia 25 de maio. 

domingo, 30 de abril de 2017

POR UM 1º DE MAIO DE MASSAS E DE LUTA!

                                                                                   



Após a classe trabalhadora realizar a maior greve geral, em extensão (praticamente todo o território nacional), importância política e mobilização popular da história do Brasil, temos que tirar algumas conclusões.

Se os protestos do dia 25 de março foram realizados principalmente por servidores públicos, na greve geral houve uma grande mobilização da classe trabalhadora como um todo, quase todas as empresas e todos os ramos foram atingidos, e o movimento teve força em todo o país, principalmente nas capitais e grandes cidades.

Houve uma unidade entres as centrais sindicais, o que possibilitou a força da mobilização, mas também suas limitações, por exemplo, apesar da vitória expressiva da greve geral, e da necessidade da continuidade da luta dos trabalhadores (as “reformas” do governo Temer continuarão e se intensificarão), não há nem data indicativa da próxima greve e nem a organização dos trabalhadores por meio de algum fórum (um Congresso ou outro meio) para dar um norte e um programa a toda luta contra o governo Temer.

O governo Temer conseguiu unificar os setores mais importantes da burguesia em sua defesa, expressão disso foi o papel da mídia e da imprensa que tentou até o último minuto desviar o foco da população do que ocorria sob seus próprios pés.

Somente um movimento de massas da classe trabalhadora pode derrotar esse governo, que é defendido, direta ou indiretamente, pela totalidade dos partidos que compõem o regime político vigente, somente um movimento dessa natureza deixará claro aos olhos da população quem são os setores que lutam por seus interesses, e os quais atuam apenas para impedir que não só o governo venha abaixo, mas todo o regime que o sustenta.

Não podemos esquecer que esse governo foi fruto de um golpe parlamentar organizado pelos setores fundamentais da burguesia, do grande capital e de seus partidos, mas que também é fruto de um governo de colaboração de classes que o PT formou (uma frente popular) com essa mesma burguesia e seus políticos corruptos.

Grande parte dos ministros desse governo já eram ministros no Governo Dilma, ou no governo Lula. E várias dessas “reformas” já estavam na "agenda" dos governos anteriores: FHC, Lula e Dilma; o que muda é apenas a dosagem do ajuste e das “reforma”, mas todos os grandes partidos participaram diretamente para que a crise se desenvolvesse até o ponto onde chegou.

O programa que o governo Temer e os partidos que o sustentam propõem é que a crise seja paga pelos trabalhadores; já vimos esse filme antes, apenas os atores de hoje são mais monstruosos e assustadores, mas o enredo é o mesmo do passado, e sem a organização e a determinação da classe trabalhadora para colocar abaixo esse governo, as “reformas” continuarão caindo em cima das costas dos assalariados e dos setores mais oprimidos.

Chega de ser coadjuvantes! É hora de sermos os protagonistas de nosso futuro.

Nossa proposta: organização de um grande Congresso da classe trabalhadora para centralizar a luta e derrotar esse governo, nova greve geral por tempo indeterminado e criação de fóruns em que a esquerda e a classe trabalhadora possam de imediato deliberar os próximos passos na luta contra o governo Temer.

Não há como derrotar as “reformas” (trabalhista, previdenciária, etc.) sem derrotar o governo Temer, esse é o eixo que devemos focar de imediato: derrotar o governo Temer é derrotar os setores fundamentais da burguesia que sustentam seu projeto golpista, derrotar esse governo será uma vitória histórica de toda classe trabalhadora.

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                                                       TRIBUNA CLASSISTA

terça-feira, 25 de abril de 2017

GREVE GERAL

         
  28 DE ABRIL PARA DERROTAR O GOVERNO TEMER

Com certeza atravessamos, nesse momento, a maior e mais complexa crise econômica e política que nosso país já vivenciou desde que se fez República. 

O Brasil nos últimos anos se vê submerso em meio a um tsunami, um maremoto que atinge profundamente a economia, e a disputa política entre diversos setores da burguesia, culminando no golpe parlamentar, é a caixa de ressonância da bancarrota mundial capitalista que atingiu em cheio o país e toda a América Latina.

Diante da disputa entre poderosos setores burgueses só há uma unanimidade entre eles: que os trabalhadores devem pagar pela crise. Aqui não há diálogo, mas sim um monólogo (em todos os jornais, tv’s, rádios, etc.) de que as "reformas" têm que ser aprovadas. Como se não houvesse no Brasil uma classe social (burguesia) que lucrou e enriqueceu com toda essa crise, através das chamadas renúncias fiscais e isenções, etc., e que agora quer despejar à força os seus “prejuízos” sobre as camadas mais pobres. Na verdade, a burguesia de conjunto, que vem sendo amamentada nas tetas do estado capitalista brasileiro, desde que tardiamente se fez burguesia, encontra-se indissoluvelmente ligada umbilicalmente à bancarrota mundial do capitalismo.

O estado capitalista, neste sentido é tão somente um instrumento histórico de expropriação econômica e social e opressão política violenta contra as massas pauperizadas, uma correia de transmissão de todos os setores da burguesia, semi-opressora do proletariado e semi-oprimida pelo imperialismo, que obriga-se a destruir ramos inteiros da economia burguesa nativa, atrasada historicamente, para servir àquele que se fundiu para sucumbir aos seus interesses, a saber: o imperialismo.

Para os poderosos, grandes capitalistas e burgueses, o Brasil é apenas um grande balcão de negócios. Se os negócios vão mal, troca-se o governo (por meio de um golpe) e que os mais pobres paguem por todos os “prejuízos” acumulados nos últimos anos. Tudo se resume a investimentos e a vida humana é apenas uma variável da bolsa de valores e dos títulos do tesouro. Se há lucros são lucros privados (de um capitalista), mas se há perdas quem deve pagar são os que realmente financiam toda a sociedade capitalista (os mais pobres, os trabalhadores). O capitalismo decadente não admite riscos, os lucros são bemvindos, o resto deve ser socializado aos trabalhadores. Essa é função das reformas de Michel Temer, transferir o ônus da crise para os trabalhadores e para as futuras gerações.

As denúncias que foram utilizadas para alimentar o golpe parlamentar, através da Operação Lava-Jato, acabaram paradoxalmente desnudando o próprio 'modus operandi' da burguesia nos últimos 30 anos, e que tem suas raízes na ditadura militar ou até mesmo antes dela.

O Estado capitalista é apenas um comitê para gerir os negócios da burguesia; quem duvidava de Marx agora pode ver o "reality show" da Odebrecht e imaginar se em outros países é diferente ou se essa é a realidade oculta atrás dos gabinetes. Só nos contos de fadas é que o capitalismo é diferente, no mundo real quem pode mais chora menos. Nesse momento quem pode mais, diante de um proletariado sem direção política, é a burguesia e o imperialismo, que possuem toda uma superestrutura estatal e paraestatal a seu dispor. Enquanto vivermos em uma sociedade fundada no lucro e na propriedade privada, as boas intenções continuarão existindo apenas no inferno, e para os ingênuos. 

O regime político e todas suas relações burguesas incestuosas, em que o Estado é utilizado para engordar os lucros do grande capital através da transferência do orçamento estatal (impostos), o qual é desviado com o superfaturamento das obras (e com certeza com outros tipos de aquisições) fica momentaneamente nu diante de toda população, mostrando sem nenhum tipo de pudor toda a degenerescência de um regime em putrefação.

Todos os partidos que defenderam esse regime político (da esquerda à direita) foram citados nas delações e tentam hipocritamente sustentar os destroços do que ficou.

Enquanto isso, o governo golpista de Michel Temer tenta, a todo custo, aprovar as “reformas” exigidas pelo grande capital ao seu governo, às quais são aprovadas por um Congresso golpista submerso na mais podre corrupção inescrupulosamente, tudo sendo justificado pelo Caixa 2. A corrupção e o superfaturamento de obras às custas da miséria da maioria da população ganhou um nome técnico, apenas um Caixa 2.

Derrotar o governo Temer é possível, mas é necessário organização e determinação da classe trabalhadora. 

Diante da atomização da esquerda e das centrais sindicais é necessário organizar um Congresso da classe trabalhadora para avançar um Plano de lutas e que defenda claramente um governo dos trabalhadores. É necessário para unificar os setores classistas uma frente de esquerda que lute e mostre a direção para derrotar o governo Temer e seu regime corrupto.

 tribunaclassista@hotmail.com 

Sede Nacional: Travessa do Ouvidor 200 – Partenon – PORTO ALEGRE G G C

quinta-feira, 13 de abril de 2017

SAUDAÇÃO POLÍTICA DO TRIBUNA CLASSISTA DO BRASIL AO XXIV CONGRESSO DO PARTIDO OBRERO DA ARGENTINA

                                                                                   




Companheiros e companheiras do Partido Obrero


No ano de comemoração do Centenário da Revolução Russa e no momento em que vocês se preparam para realizarem o seu XXIV Congresso do PO, nos dias 14, 15 e 16 de abril, assistimos aos seus prognósticos realizados em relação à catástrofe mundial do sistema capitalista se confirmarem. Nesse sentido reivindicamos, entre outros, as Teses Programáticas da Coordenação pela Refundação da Quarta Internacional - CRQI e a Resolução da Conferência Latinoamericana da qual participamos no Uruguai como guias de ação para uma intervenção revolucionária.

Dessa forma, a evolução política do PO que se converteu em fator da situação política do nosso país hermano é vista por aqueles que buscam o caminho da independência política dos trabalhadores como um exemplo a ser seguido não somente na América Latina, mas no mundo inteiro.Foi justamente o combate teórico, programático e político do PO pela evolução da consciência das massas que abriu o caminho para este tremendo desenvolvimento de uma organização operária, revolucionária e socialista na Argentina.

Daqui do Brasil, em meio a uma crise política que atinge fatalmente o governo golpista de Temer e o conjunto do regime político, e quando os trabalhadores e a juventude começam a protagonizar uma reação com a marcação de uma Greve Geral para dia 28/04 contra os brutais ataques às suas condições de vida que a burguesia e seus partidos querem promover através da aprovação das terceirizações indiscriminadamente, Reforma da Previdência Social e Trabalhista, queremos saudar a realização desse auspicioso acontecimento que nos desperta um grande interesse e que certamente se projetará para o terreno nacional e internacional da luta de classe.

Uma semana depois dos EUA bombardearem uma base aérea na Síria com mísseis Tomahawk, a manchete do dia é que acabam de utilizar sua maior bomba não nuclear em um ataque à província de Nangarhar, no leste do Afeganistão, em mais um capítulo da história que manifesta brutalmente o caráter destrutivo e autodestrutivo do capitalismo, em sua etapa senil. FORA O IMPERIALISMO IANQUE DO ORIENTE MÉDIO! Por uma Federação Socialista dos Povos do Oriente Médio contra a barbárie capitalista. - Pela UNIDADE SOCIALISTA DOS TRABALHADORES DA AMÉRICA LATINA! - Por uma Internacional Revolucionária, pela construção e desenvolvimento da Coordenação pela Refundação da Quarta Internacional - CRQI - Pela construção de partidos operários revolucionários e socialistas no mundo inteiro - Por governos de trabalhadores e pelo Socialismo.

VIVA O PARTIDO OBRERO E A QUARTA INTERNACIONAL!

TRIBUNA CLASSISTA - BRASIL

terça-feira, 11 de abril de 2017

GREVE GERAL DIA 28/4

                                                                                       

Aprofundemos a luta! 

Temos que encarar esta greve como um dia de luta e mobilização dos trabalhadores contra a lei de terceirização e a Reforma da Previdência.. Os projetos 4.302 e 4.330, feitos por iniciativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) são perversos, sintetizam a intenção do governo, que é a de aumentar a jornada, baixar salários, instituir o trabalho análogo à escravidão, como parte da Reforma Trabalhista. 

Todo o movimento do governo usurpador de Temer, Rodrigo Maia, Jucá e companhia é de ser porta voz dos interesses da classe capitalista no sentido de destruir as conquistas sociais, beneficiar o empresariado e realizar uma forte ofensiva contra a classe trabalhadora criando convênios temporários, que levariam a perda da estabilidade trabalhista, medida que se conhece com o nome de precarização. 

Temos que deixar claro que neste novo ataque brutal, a precarização do trabalho é o principal alvo do governo golpista. 

A burocracia quer descomprimir 

A rejeição aos projetos de reforma trabalhista e a reforma previdenciária aumentou a pressão nas sete centrais sindicais que temerosas de sofrer os efeitos de lutas que passem por cima da burocracia sindical se vê obrigada a descomprimir a situação chamando a uma greve. 

Esta greve pode servir para aprofundar os debates, para escutar como se posicionam as diferentes tendências políticas já que esta lei é aceita por todos os partidos de direita até a centro esquerda, desde o PSDB, PMDB passando pelo PT que desde sua postura reformista quer recompor o tecido da democracia burguesa rompido com o golpe parlamentar. 

Vamos lutar com uma atitude de mobilização para tentar reorganizar uma frente junto com os grupos como CSP/CONLUTAS, partidos de esquerda e setores que acreditam em uma saída de independência classista para impedir que a crise continue sendo descarregada nos trabalhadores. 

O Mundo

Ao mesmo tempo em que atuamos no plano nacional, como somos uma corrente internacionalista, lutamos contra o governo americano que acaba de atacar bases Sírias, matando inocentes e colocando a situação no Oriente Médio à beira de uma guerra nuclear. 

Por tudo isso: FORA TEMER! TODO O APOIO À GREVE GERAL E FORA O IMPERIALISMO IANQUE DA SÍRIA E DE TODO O ORIENTE MÉDIO.

                                 Contato: tribunaclassista@hotmail.com

                             TRIBUNA CLASSISTA - RIO DE JANEIRO

segunda-feira, 10 de abril de 2017

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO TRIBUNA CLASSISTA

                                                                                 


No ano do centenário da Revolução Russa de 1917 lhe convidamos a contribuir com a luta pela construção de uma organização de trabalhadores independente de todas as variantes burguesas e do imperialismo, em meio a uma enorme tendência de luta da classe trabalhadora e da juventude que obrigou a burocracia sindical a convocar a GREVE GERAL para o dia 28/04, às vésperas do 1º de maio, dia Mundial da classe operária. Por isso, no dia 29/04, sábado, a partir das 18 horas, estaremos lhe aguardando para que venha conhecer e ajudar a construir um espaço que se pretende de estudo e formação para uma ação revolucionária e socialista, na Travessa do Ouvidor nº 200, próximo à Av. Bento Gonçalves, no bairro Partenon, em Porto Alegre. 

“Quando os artesãos comunistas se associam, sua finalidade é inicialmente a doutrina, a propaganda, etc. Mas com isso e ao mesmo tempo apropriam-se de uma nova necessidade, a necessidade de associação, e, o que parecia um meio, converteu-se em um fim em si mesmo. Pode-se observar este movimento prático em seus resultados mais brilhantes quando se veem reunidos os operários socialistas franceses. Já não necessitam de pretextos para reunir-se, de mediadores como o fumo, a bebida, a comida, etc. A vida em sociedade, a associação, a conversa, que por sua vez têm a sociedade como fim, lhes bastam. Entre eles, a fraternidade dos homens não é nenhuma fraseologia, mas sim uma verdade, e a nobreza da humanidade brilha nos olhos dessas figuras endurecidas pelo trabalho.” (Manuscritos econômicos-filosóficos, Karl Marx, Paris, 1844).

                                                                       

Participe! Contato: tribunaclassista@hotmail.com 

domingo, 26 de março de 2017

MUDANÇA DE REGIME E CRISE POLÍTICA NOS ESTADOS UNIDOS

                                                                                       



Jorge Altamira (dirigente do Partido Obrero da Argentina)





A crise mundial que se iniciou em 2007 não esgotou seus efeitos, e nem desenvolveu ainda todas suas conclusões e possibilidades históricas. Um de seus traços distintivos foi o que teve lugar quando havia transcorrido uma década e meia da abertura ao mercado mundial das economias de Estados poderosos como a Rússia e a China. Essa abertura (uma verdadeira válvula de segurança para o capitalismo), desatou, ao mesmo tempo, tendências anarquizantes do capitalismo com uma intensidade sem paralelo. O estouro da crise asiática e russa em 1997, e a mundial dez anos mais tarde, forçou a intervenção do Estado na China e na Rússia, e a aparição de governos bonapartistas que arbitram com o capital internacional. Foram as primeiras manifestações do antagonismo que aflora na atualidade, em particular entre os Estados Unidos e a China. Nesse processo ficou sepultada a ilusão de uma transição "pacifica" entre as economias estatizadas e dirigidas e a economia capitalista mundial em seu conjunto.

NACIONALISMO

A força que tem obtido as tendências nacionalistas na Europa, como o Brexit, e a vitória de Trump, obedece ao fracasso das tentativas de reativação econômica, principalmente dos Estados Unidos e da UE, por meio dos resgates estatais aos bancos. São a expressão do esgotamento de uma etapa política. O resgate que foi melhor sucedido, o norte-americano, não recuperou a taxa de crescimento potencial do PIB, ou seja a taxa de crescimento da produtividade, nem a de investimento, e muito menos ainda a dos salários (a demanda do consumo final). A extraordinária valorização das empresas tecnológicas nas bolsas responde a uma expectativa de lucros que não tem passado pela prova do mercado. A enorme acumulação de capital efetivo nessas empresas traduz, pelo contrário, a ausência de uma rentabilidade adequada que justifique investimentos significativos. A expansão da exploração não convencional de petróleo tem sido subsidiada por uma taxa de juros artificialmente baixa.

É o que esquece Trump, para sua conveniência, quando denuncia os subsídios ocultos que provem o Estado chinês a seus capitais.Em seu conjunto, a economia norte-americana registra um enorme crescimento do endividamento nacional (Estado federal, estados, municípios, bancos, empresas, famílias). É uma economia potencialmente em quebra, que se sustenta pela capacidade de emissão da principal divisa internacional: o dólar. Por outro lado, a "pedra preciosa" da globalização, a City de Londres, enfrentava, no momento do Brexit, um deficit internacional de pagamentos de quase 1 trilhão de dólares, assim como a sobrevalorização da libra e um colapso industrial (por exemplo, a siderúrgica Tata).

A reação nacionalista, é importante se advertir, não tem um caráter uniforme: é ofensiva nos Estados Unidos e defensiva na União Europeia, e ainda mais nos casos dos países periféricos. O que tem em comum é sua condição de reação política preventiva frente às manifestações da crise política. As condições de existência das massas deterioraram-se fortemente no curso da crise. A crise mundial tem acentuado o antagonismo das massas com os governos habituais, no marco do sistema democrático. As agências de risco internacionais tem incorporado o "risco político" na avaliação das companhias e dos Estados.

A base social dessa reação nacionalista (nacionalismo reacionário) é, no atual momento, débil. No Leste da Europa e na Rússia, onde parece mais assentada, provocou mobilizações de rejeição de envergadura variada. Enfrenta a oposição de setores da burguesia fortemente vinculados a investimentos internacionais ou a terceirização internacional de sua produção. Para uma maioria da burguesia, o abandono dos métodos "democráticos" resulta ainda prematuro e perigoso, porque aceleraria uma polarização que não considera desejável nem funcional a seus interesses. Pode operar como um incentivo para grandes mobilizações populares em países onde a tradição histórica de luta está presente na consciência cotidiana.

BONAPARTISMO E IMPEACHMENT

Esta crise política ficou exposta na transição de Obama a Trump: choques no Congresso, choques no aparato de segurança, choques na grande imprensa, críticas abertas na cúpula da OTAN e por parte do presidente que estava saindo. Também tem se caracterizado pelos choques entre a indústria automobilística e a nova administração sobre a questão do México, ou com a indústria de alta tecnologia, que Trump denúncia por retenção de atividades no exterior. Nas interpelações do Congresso, os ministros designados tem desmentido as propostas de Trump em assuntos centrais para o debate político. Assistimos, antes de mais nada, a uma divisão excepcional nos interior das fileiras da burguesia norte-americana.

A ideia de que Trump "joga" a confusão para deslocar seus adversários, não deixa claro sobre as contradições explosivas desse tipo de "jogo". A rejeição à realização de "conferências de imprensa" por um lado e a oposição ao projeto de reforma impositiva da bancada republicana, que busca evitar a aplicação de impostos de importação, constituem os primeiros passos da instalação de um governo bonapartista nos Estados Unidos. Contudo, os legisladores republicanos tentam impedir a adoção de impostos protecionistas que desatem uma guerra comercial aberta, mediante um regime impositivo às importações, depois de as mesmas tiverem entrado no mercado norte-americano, e suscetíveis a isenções e deduções. Trump rejeita a proposta de sua bancada, nesse tema crucial de sua agenda, de forma pública e taxativa. A tentativa bonapartista já está abrindo a discussão do "impeachment". A divisão da burguesia norte-americana e a tendência bonapartista são os aspectos fundamentais, no momento, da crise política nos Estados Unidos.

A reação nacionalista deixa a nu as contradições da saída à crise capitalista que coloca em foco a reativação por meio de déficits fiscais e gastos em grandes obras públicas. Os defensores "liberais" dessa saída, como é o caso do editor do Finantial Times, Martin Wolf, ocultam a contradição de uma reativação "nacional" que aumente a demanda fora do país em benefício do capital estrangeiro e em detrimento relativo do capital nacional. O capitalismo não admite saídas "coordenadas" a essa crise. No entanto, diferentemente da crise dos anos 30 do século passado, o fechamento da economia prejudicaria diretamente o capital norte-americano que se encontra investido fora de suas fronteiras. Os juros e dividendos que o capital norte-americano emite do exterior supera o montante que o Estados Unidos tem que pagar por sua divida externa e a emissão de lucros ao capital estrangeiro. Uma reativação das obras públicas em grande escala desvalorizaria, por outro lado, a dívida pública corrente em mãos dos bancos e financeiras (aumentando a taxa de juros), o qual destroçaria um capital fictício calculado em mil vezes um trilhão de dólares. Quando ocorre a divulgação das estatísticas sobre o patrimônio acumulado dos maiores bilionários capitalistas do mundo, não agregam que se trata de um capital fictício (títulos da dívida de Estados, ações de empresas, etc), que frequentemente encontram-se supervalorizados.

PROTECIONISMO: OS MEIOS E OS FINS

Enquanto que o nacionalismo europeu propõe uma defesa dos mercados nacionais, inclusive da zona do euro, é incorreto caracterizar as propostas de Trump como uma defesa do mercado norte-americano. A "guerra comercial" que impulsiona Trump tem por finalidade impor a abertura dos mercados estrangeiros ao capital norte-americano, em especial no caso da China. O imperialismo reclama a privatização e o desmantelamento das empresas estatais chinesas, assim como a abertura ao capital estrangeiro das Bolsas e a negociação da dívida pública. Utiliza o protecionismo para arrancar concessões absolutamente estratégicas nos mercados rivais.

Depois de inundar o mercado mundial com aço e alumínio, a China procura sair dessa crise de superprodução liquidando partes de diversos ramos de atividade, porém também mediante a industrialização dessas matérias primas, aumentando assim a escala do seu valor agregado. Este choque alcançou uma temperatura excepcional com o desenvolvimento, ainda incipiente, da indústria de chips e semicondutores por parte da China. Se trata de uma matriz tecnológica dos serviços industriais modernos. Por isso, os Estados Unidos tem bloqueado a aquisição de empresas de tecnologia com as quais a China pretendia abreviar o tempo de gestação desta indústria. Um setor da imprensa caracterizou esta tentativa da China como o equivalente ao desenvolvimento da frota naval por parte da Alemanha, que desencadeou a Primeira Guerra Mundial. Mais que uma medida de protecionismo aduaneiro convencional, Trump representa a declaração de guerra contra o protecionismo industrial e financeiro da China. Trump continua a linha precedente, porém modifica sua escala.

EUROPA E AMÉRICA

A ofensiva norte-americana sobre a China altera forçosamente as relações capitalistas internacionais. Não pode ter lugar "de forma conjunta" por parte dos Estados Unidos de um lado, e da Europa, do outro lado, porque tem por base uma incorrigível rivalidade entre Estados capitalistas. Daí as grosserias de Trump com a unidade europeia e as saudações ao Brexit. Além disso, o Brexit aniquilou a proposta do ex-Primeiro Ministro David Cameron e da City em favor de desenvolver uma relação especial com a China, que se manifestou na decisão de integrar o Banco Internacional de Desenvolvimento impulsionado pela China e, inclusive, admitir o desmantelamento da siderurgia na Grã Bretanha, em benefício da China, e a participação da China na construção de reatores nucleares, em troca de uma integração financeira da China com o mercado de Londres (convertibilidade do yuan).
À luz deste conflito de posições, poderia-se dizer que o Brexit foi um tipo de golpe de Estado contra o "governo pró China" de seu antecessor. Theresa May, ao contrário, anunciou o desejo de estabelecer uma "relação especial" com o Estados Unidos de Trump. Antecipa desse modo, a possibilidade, que o chauvinismo europeu não seja outra coisa do que uma troca de amo das burguesias europeias: da Alemanha para os Estados Unidos (aliado de Putin).

A DECADÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS

O anúncio de uma ofensiva "comercial" contra a China ocorre justamente quando a China encontra-se à beira de uma enorme crise financeira, que não pode ser contida, nem mesmo resolvida, por uma maior intervenção do Estado. Em 2016, saíram 1 trilhão de dólares em divisas, apesar dos controles oficiais. A posse da dívida norte-americana por parte da China tem caído em cifras parecidas e é provável que tenha sido a causa principal da recente subida dos juros nos EUA. A manifestação política dessa crise é o acentuado bonapartismo de Xi Jinping, o presidente da China. Recentemente, em Davos, Xi respondeu à pressão de Trump com uma oferta de abertura.

Os novos desenvolvimentos políticos prenunciam uma aceleração da crise na China, em especial uma crise de seu sistema político. O enfrentamento dos Estados Unidos versus China ocorre quando se desenvolve uma intensa fratura na burguesia norte-americana, de um lado, e algo similar na burocracia da China, de outro. A transição internacional em curso abre uma crise de poder na maioria das principais nações. Antes que se desenvolva a possibilidade de uma guerra em que se enfrentem a China e os Estados Unidos como protagonistas principais, será necessário unificar a burguesia e a burocracia dos respectivos países e, de um modo geral, transformar o regime político democrático que caracteriza aos países capitalistas avançados.

Muitas caracterizações do processo atual fazem referência a uma declinação ou decadência dos Estados Unidos como a principal potência na liderança do sistema capitalista mundial. Essa caracterização supõe o ascenso de alguma potência rival, o que, até o momento, não ocorre. Muito pelo contrário: os BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) perderam a sua vigência; o Brasil e a Índia guinaram para a órbita norte-americana em suas mudanças recentes de governo. A União Europeia atravessa uma desintegração prolongada. A profundidade da bancarrota capitalista mundial tem acentuado dependência dos Estados capitalistas e restauracionistas (que estão em processo de restauração capitalista) com relação aos Estados Unidos. Que é o único pais que conta com bancos de investimento. O dólar tem alcançado um pico máximo de participação nas transações comerciais e financeiras internacionais. A impressão de uma declinação do imperialismo ianque é uma leitura distorcida pela enorme declinação histórica do capitalismo mundial.

Não nos encontramos diante de uma fase de substituição da liderança mundial. Assistimos à desintegração do bloco político formado pelas nações capitalistas logo após a Segunda Guerra Mundial. As vacilações que guiaram a política norte-americana nesta aliança é uma coisa do passado. Trump pretende inaugurar a política do garrote, estrangulando assim as políticas divergentes, no seio do que foi a "aliança do ocidente".

FORMOU-SE UMA DUPLA?

O cortejo de Trump para com Putin é, obviamente, uma tentativa de desqualificar os regimes democráticos capitalistas, os quais o magnata americano definiu como "talk, talk, talk, but no action" (falam muito, mas não agem); ou seja a necessidade de governos fortes ou bonapartistas.
É, no entanto, um reconhecimento, por um lado, do fracasso da tentativa de dissolver a Rússia como estado multinacional, ou converte-la, alternativamente, em colônia econômica, como tentaram Bush pai e Bill Clinton; por outro lado, é o reconhecimento do rol contrarrevolucionário do regime de Putin no conjunto da ordem mundial. As invasões do Afeganistão e do Iraque, por parte da coalizão liderada pelo Pentágono, tem desatado uma crise gigantesca no Oriente Médio. O imperialismo teme o renascimento das revoluções árabes e as consequências da crise da Turquia, principal base da Otan.

A política do "state bulding" (construir protetorados políticos constitucionais) concluiu em um gigantesco fracasso. Fracassou do mesmo modo o propósito de Obama de produzir uma "saída ordenada" da região. A convocatória de Trump a Putin para "combater o terrorismo" representa, em primeiro lugar, o reconhecimento escancarado desse fracasso. Também é uma oferta de "divisão das influências" nessa região, que deve contar com o acordo do Estado sionista.

Por outro lado, representa uma tentativa de colocar a Rússia sob uma tutela norte-americana. Trump e Putin estão interessados nos investimentos petroleiros no Ártico, o qual supõe, em grande medida, um acordo energético internacional, que incluem a Ucrânia, os gasodutos (desde a Síria ao Chipre), e uma potencial crise com a Arábia Saudita e com o Qatar. Abrindo uma crise com a União Europeia. Os comando militares do Pentágono e da OTAN suspeitam da aproximação da Rússia, e também advertem que Putin não está disposto a operar sob a batuta de Trump. O que aparece como uma divergência, está repleta de antagonismos.

O propósito que se atribui a Trump, de querer meter uma cunha entre a China e a Rússia, é por enquanto apenas uma ilusão. Contudo, as "ideias" de Trump, não demonstraram consistência ainda, se é que isso já ocorreu em algum momento. Tem as características de um falso ensaio, de um blefe. O que está claro é que a crise mundial destruiu a ilusão de reequilíbrio das relações capitalistas e está produzindo um realinhamento entre as principais potências, de alcance incerto. A experiência Trump deixa vislumbrar, no entanto, as tendências políticas de conjunto.

O EPICENTRO DA CRISE POLÍTICA

A posse de Trump acelerou as tendências políticas que se encontravam em pleno desenvolvimento. O campo principal de disputa se encontra no interior dos Estados Unidos. Existe uma divisão excepcional na burguesia, seus partidos, e suas instituições. A reação popular que tem se produzido em larga escala por todo o país, encontra-se sob a tutela da burguesia e da pequena burguesia liberais, e será usada para impulsionar um "revival" democrata. Porém é o início de uma luta. A experiência chauvinista de Trump (que obteve três milhões de votos a menos que sua rival) vem logo após a de uma presidência realizada por um negro, que foi uma tentativa liberal fracassada de apaziguar a crise e os antagonismos de classe. Dois presidentes, um negro, de um lado, e um chauvinista branco, do outro, não deixam de representar os recursos "extremos" alternativos a uma mesma crise de conjunto.


 Os Estados Unidos se converteram no epicentro político da crise mundial, após já terem sido o epicentro econômico e financeiro dessa mesma crise.

                                                                            

quarta-feira, 22 de março de 2017

Moção de apoio aos trabalhadores do AGR-CLARIN

                                                                                 

                                                          Alfeu Goulart - SINTRASEM


A assembléia do SINTRASEM(sindicato dos trabalhadores do município de Florianópolis) no dia 15 de março, paralisação nacional da classe trabalhadora, contra as reformas anti-operarias da previdência , trabalhista e ajuste fiscal do governo Michel Temer(PMDB) convocada pela CUT, CSPCOMLUTAS e outras centrais sindicais, aprovou moção de apoio e solidariedade a luta dos trabalhadores da planta gráfica AGR-CLARIN que há mais de 60 dias ocupam a fabrica em defesa dos seus postos de trabalho, contra o fechamento fraudulento da gráfica e pela readmissão dos trabalhadores despedidos ilegalmente.

O verdadeiro propósito do fechamento é liquidar as conquistas operarias e organização sindical na principal planta impressora do país levando a precarização das relações de trabalho. Nossa solidariedade irrestrita aos trabalhadores, pois a vitória desta luta é a vitória da classe trabalhadora internacional.

Viva a luta dos trabalhadores da AGR-CLARIN,
pela unidade dos trabalhadores da America Latina e do mundo contra os governos capitalistas ajustadores.
Que os capitalista paguem pela crise.

SINTRASEM (SINDICATO DOS TRABALHADORES MUNICIPAIS DE FLORIANÓPOLIS)